O controle da informação pelos governos, para resguardar o capital eleitoral do mandatário, já foi repetidamente criticado neste espaço. 

É um comportamento padrão, linear, alheio às diferenças ideológicas. Da direita à esquerda, se subordina os dados coletados pela máquina a interesses imediatos. 

O que é simpático, divulga-se com estardalhaço. Ao que cria embaraço, impõe-se obstáculo para o acesso.

O mais preocupante é que essa lógica gera um vácuo que tanto pode ser ocupado por versões fantasiosas, fortalecendo correntes pouco afeitas ao jogo democrático, quanto inibir políticas públicas alicerçadas numa realidade sem amputações.

O caso da segurança pública, ponto focal recorrente do eleitorado, é o mais notório. Até argumentos de sigilo da estratégia militar são usados para justificar silêncios.

Porém, recentemente, com a seca avançando, surge um novo filtro. Enquanto a vazão dos rios mingua, o Ministério Público precisou intervir para saber quais cidades estão sob risco de ficar sem água.

Se tratada com transparência, essa informação permitiria à sociedade tomar decisões no sentido de rever o consumo. Diante da dificuldade de informação, essa mesma sociedade só vai ser informada da gravidade por suas torneiras.