Números coletados pelo Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento mostram uma realidade pouco alvissareira.

Por exemplo: 51,9% da população brasileira não tem acesso à coleta de esgoto. Quando o assunto é água tratada, mais de 35 milhões de brasileiros não possuem acesso, número alarmante para um país que busca desenvolvimento. Basta mirar as cidades com olhar mais atento para perceber o tamanho do problema.

Em que pese esse desafio, reportagem na edição de ontem mostra que o projeto que atualiza o marco legal do saneamento do País pode se meter em fricções típicas da política. Isso porque a Câmara estuda enviar diretamente para sanção presidencial os trechos que forem aprovados conforme a proposta encaminhada pelo Senado. Por sua conta, parte alterada, objeto de polêmica entre governadores e congressistas, se transformaria em um projeto paralelo a ser analisado pelos senadores.

Não se trata aqui de julgar o mérito da questão, até porque muitos interesses estão em jogo. Mas a política na sua forma mais crua, ao tratar saneamento como “dinheiro enterrado”, sem efeito eleitoral imediato, já atrapalhou noutros momentos. É preciso romper o ciclo.