Primeiro foi a menina Ágatha Félix, de 8 anos, baleada em setembro de 2019 no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro. Em maio, o adolescente João Pedro Mattos, 14, foi morto com um tiro nas costas dentro de casa em São Gonçalo (RJ). Ontem, Dia da Consciência Negra, uma ironia trágica: João Alberto Silveira Freitas, 40, foi assassinado por dois seguranças de um supermercado, em Porto Alegre (RS). A sucessão de episódios sugere uma escalada da violência contra negros, mas, a rigor, a reverberação desses fatos simboliza a reação da população contra o racismo. Uma lógica estabelecida desde a escravidão já não pode ser mais normalizada. Para tanto, é preciso a consciência coletiva. Para colaborar adequadamente, é preciso abrir-se para aprender, ouvir relatos sobre o que é ser uma pessoa negra em uma sociedade racista, quais são os tipos de violência física e psicológica a que essas pessoas estão submetidas e os impactos disso na vida cotidiana de todos nós. A negação do racismo estrutural, que empurra negros para condições mais hostis, seja no mercado de trabalho,na educação e na segurança pública, é uma forma de perpetuar essa normalização que, vê-se, mata.