Quando a pandemia se impôs como uma ameaça palpável, lá em março, instaurou-se um temor sobre a capacidade de resposta de atendimento médico, sobretudo nas cidades mais remotas do interior. Isso porque, diante das dimensões continentais do Brasil, o Sistema Único de Saúde não tem distribuição uniforme por todas as regiões. Há falta crônica de profissionais de saúde, insumos e estrutura mínima necessários ao socorro.

Parte dessa deficiência foi amenizada com a instalação de estruturas temporárias, na forma de hospitais de campanha e mais leitos de UTIs em unidades já operantes, exclusivos para atenção à Covid-19. Contudo, conforme reportagem da edição de sexta-feira, o interior ainda padece de forma mais acentuada.

Constatou-se uma dificuldade na obtenção de vagas em terapia intensiva. Quando o

leito é designado, os municípios sofrem com as condições de transporte, impróprias para pacientes em estado delicado. Há casos até de escassez de combustível para transferências além de 400 quilômetros.

É inadmissível que uma questão burocrática pontual, sobre jurisdições e responsabilidades orçamentárias, siga colocando em risco os doentes, alguns dos quais perdem a vida nesse entrave.

Urge, pois, uma solução.