Há um júbilo, totalmente justificado, pelo começo da vacinação contra a Covid-19 no Brasil. De fato, ainda que 70 países tenham deflagrado o processo antes e um rastro de sangue ideológico tenha sido derramado até a primeira seringa, a imunização em massa oferece elementos de esperança, como já dito nesse espaço.

Porém, em que pese o otimismo ao qual no irmanamos, é preciso
não traduzi-lo num afrouxamento dos cuidados. Leva um tempo até que uma parcela considerável da população seja vacinada e os efeitos da imunidade coletiva sejam percebidos nas redes públicas de atendimento em saúde.

Como a produção de vacinas se dá em forma ainda lenta, impedindo que se alastre a cobertura para o grosso da população, convém também resguardar a quantidade disponível em favor da estratégia de imunização, de modo a que o fator econômico não intervenha nesse processo.

Se pessoas com mais recursos furarem a fila, tendo acesso à vacina antes de grupos já definidos como prioritários, o atingimento de uma situação livre do vírus pode demorar ainda mais. É hora, portanto, de cultivar a paciência
e o senso coletivo.
Não há fuga solitária dessa situação.