Pela segunda vez em cinco dias um adolescente é assassinado sob custódia do Estado, no cumprimento de medida socioeducativa. Não há relação entre os dois assassinatos, revela reportagem nessa edição, embora a justificativa para ambos os casos seja a punição por estupro - crime punido com tortura e morte pela lógica moral do crime. Servidores do sistema em Goiás relatam um cotidiano violento, com tensão entre facções criminosas.

A instabilidade não é uma prerrogativa de Goiás. No Rio de Janeiro, cerca de 400 adolescentes infratores internados estão sendo liberados desde ontem. A liberação atende a uma decisão do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), para evitar a superlotação das unidades de internação. Levantamento do Conselho Nacional de Justiça indica haver mais de 22 mil jovens internados nas 461 unidades em funcionamento no país.

São números cuja envergadura, por si, dá a dimensão do problema. Há muitas prioridades concorrendo nesse momento, o que coloca a questão da população carcerária num segundo plano. Porém, até pela estabilidade do sistema, da qual depende inclusive a segurança dos servidores, é importante um olhar mais detido a essa degradação.