O debate em torno das condições para a retomada dos negócios, travado no mundo inteiro, ganha perigosos contornos político-ideológicos no Brasil. Em que pesem essas condições muito particulares, o País tem mantido o pacto federativo, com Estados e municípios à frente das decisões que regem a rotina dos cidadãos.

Trata-se de um hiato de lucidez num emaranhado de passionalidade. Segunda-feira, decreto federal incluiu salões de beleza, academias, barbearias no rol de serviços essenciais. A medida, autorizada pelo Planalto à revelia do Ministério da Saúde, foi veementemente refutada por governadores e prefeitos das maiores cidades. Firmado território político de lado a lado, fica a sociedade à mercê do que virá.

Daí a importância de se observar experiências de outros países. Diferentemente do Brasil, que ainda não atingiu o pico de contágio, a Alemanha já passou pelo pico e conseguiu diminuir a disseminação da doença. Lá, cabeleireiros voltaram à ativa, assim como a reabertura gradual de lojas e serviços, acompanhada de medidas detalhadas de segurança para frear o contágio.

O Brasil precisa, pois, se curar da ideia de que só há dois caminhos a seguir diante de uma crise.