Há uma máquina de disseminação de mentiras, operando nos mesmos moldes da eleição de 2018, mas dessa vez sem um fim tão explicitamente identificável. Ainda que o pano de fundo para a desonestidade informativa possa ser a disputa presidencial de 2022, não está claro o ganho político de se alimentar a confusão a respeito da pandemia. Quem se fortalece quando a gravidade da situação é minimizada de forma covarde, desestimulando cuidados que podem salvar vidas? Qual discurso se justifica tendo como efeito dezenas de milhares de cadáveres?

Pois uma mensagem recorrente, divulgada pelo Whatsapp, mente sobre a redução do volume global de mortes no ano pandêmico.

Há uma insinuação irresponsável de que a mortalidade decorrente da Covid-19 é um exagero da imprensa e da oposição ao governo federal. Reportagem na edição de fim de semana, porém, dá contorno matemático a essa infâmia: só em Goiás,

os cartórios de registros civis registraram 42.259 óbitos em 2020 - 7418 mortes a mais do que em 2019.

Quem, por qualquer motivo, desconsidera a dor dessas famílias formulando mentiras, precisa ser responsabilizado. Primeiro, pela Justiça. Depois, pela História.