Um misto de consciência ecológica com desconfiança em relação a estabilidade do sistema tem estimulado os brasileiros a buscar autonomia na geração de energia elétrica, com base em fontes renováveis. Reportagem na edição de ontem revelou que o volume de unidades geradoras deu um salto no Brasil: dos 4.859 em junho de 2016 para 57.919 este ano.

A dinâmica tem se mostrado financeiramente interessante, porque, além de atender as suas necessidades, os produtores de energia disponibilizam o excedente na rede. Em troca, recebem créditos das distribuidoras que podem ser usados em outras unidades consumidoras.

Agora, porém, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) promove uma audiência pública para rever essas regras de compensação. As distribuidoras de energia elétrica alegam que o modelo impede uma remuneração adequada pelo uso da rede. 

E buscam pagar menos crédito para compensação. Propostas em análise trabalham com a hipótese de o pequeno gerador perder até 63% da energia com a nova tarifação.

É fundamental, pois, que a Aneel conduza essa negociação de forma a assegurar o interesse público, que passa pela manutenção dos investimentos.