Embora a prioridade nesse momento seja sacramentar a conscientização da importância do isolamento social, é lícito que os gestores públicos comecem desde já a traçar uma antevisão dos efeitos da pandemia sobre as contas.

Reportagem na edição de sexta-feira mostra que, se a retomada dos negócios não se der antes de julho, haverá uma queda de 25%na arrecadação das cidades de Goiás entre abril e setembro. A projeção foi feita pela Federação Goiana dos Municípios (FGM).

Se considerada a receita do ano base de 2018 dos 246 municípios goianos, a retração chegaria a R$ 2,6 bilhões nesses meses - já aplicando a compensação pela inflação do período.

O fenômeno se dá sobretudo porque, de cada R$ 10 arrecadados pelas prefeituras, R$ 4,50 vêm de repasses da União e dos Estados. Não por outra razão que, na sexta-feira, Estados e municípios protocolaram junto ao governo federal demandas surgidas com o avanço do coronavírus. Os pedidos vão de verba para saúde à suspensão de pagamento de dívidas e possibilidade de corte em salários de servidores.

Independentemente do grau de adesão do governo federal às ideias, é importante que se debata desde já, sob pena de se estender a paralisia das cidades para além dos efeitos do vírus.