Goiás ultrapassou ontem a dolorosa marca de 5 mil mortes por Covid-19. Quase sete meses depois da eclosão da pandemia, com a sucessiva contagem de cadáveres em tempo real, surge uma certa anestesia diante da tragédia indicada pelos números. É como se a morte passasse a compor a paisagem. Trata-se de um comportamento perigoso.

Primeiro, porque admite como inevitável algo que poderia ter sido contornado. Embora o governo do Estado tenha desde o início se atentado para a gravidade da situação, promovendo ações de contenção do vírus, não foi possível a Goiás ficar imune à desarticulação política reinante no combate à pandemia.

Segundo, o Sars-Cov2 virou um elemento central desse estado permanente de eleição instalado no Brasil.

Onde deveria ter havido cooperação, houve disputa eleitoral extemporânea.

O problema dessa postura dos homens públicos é que o resultado vai se refletir não somente nas urnas, mas nas estatísticas de morte.

Por fim, os números indicam que, ao contrário do que se possa supor pela rotina das cidades, a tragédia ainda está em curso. Não há vacina. Lembrar as mortes não é um exercício mórbido, mas uma necessidade diante de uma crise ainda sem término à vista.