Não há precedente na história da humanidade de um acompanhamento tão detido sobre os passos da ciência. Na rotina dos pesquisadores, avanços e recuos são comuns. O que muda nesses tempos de pandemia é a atenção dada a esses movimentos, que, em última instância, só atestam a seriedade dos que ora se dedicam encontrar uma vacina e a entender a doença que nos exilou.

A suspensão dos testes da vacina de Oxford, por exemplo, antes de um fracasso retumbante, só ratifica o grau de seriedade da pesquisa. Mesmo com pressão planetária, feita sob o peso de interesses comerciais e geopolíticos, os cientistas não foram adiante sem antes entender os efeitos da dose aplicada num dos pacientes voluntários.

O mesmo se pode dizer dos casos de reinfecção, objeto de reportagem nessa edição, sobre os 16 casos registrados em Goiás e monitorados desde então.

Antes de uma condenação a mais tempo recluso, os casos, numericamente inexpressivos, fornecem elementos para uma compreensão mais exata do comportamento do novo coronavírus, sem a qual é impossível combatê-lo.

Em tempos de uso irresponsavelmente político da situação sanitária, a ciência continua fazer por merecer confiança.