A rede estadual de ensino de Goiás vive uma situação inédita em relação a seus quadros, o que deve servir no mínimo de alerta para uma reflexão sobre as estratégias rumo a uma educação pública de qualidade e transformadora. Reportagem na edição de ontem, feita com base no Censo Escolar, aponta que, em 129 municípios goianos, os professores temporários já são maioria na comparação com os concursados. A precarização do vínculo dos docentes não é prerrogativa de Goiás. Segundo as Sinopses Estatísticas da Educação Básica 2016 do Inep, o Brasil possui 1.261.303 professores considerados concursados, efetivos ou estáveis e 570.216 temporários.

Isso se dá porque o modelo não fica restrito a questões emergenciais, como férias, licenças e lentidão na contratação de aprovados em concursos. É uma brecha que vai se fazendo fenda. Se instaurado como regra, sobretudo para a contenção de gastos com folha de pagamento, visto que os contratos precários custam menos, é preciso promover amplo debate, partindo-se da premissa que pessoas no mesmo ambiente não bastam para haver uma relação pedagógica. A relação entre quem ensina e quem aprende só se estabelece pelo vínculo.