Uma decisão da Justiça Federal oferece subsídio intelectual para a retomada gradual das aulas presenciais. Em resposta à Defensoria Pública da União, a juíza Maria Cucione negou novo adiamento do Enem, previsto para domingo, sob alegação de que “causará certamente prejuízos financeiros” e à formação acadêmica.

A condição para a manutenção da data foi o protocolo proposto pelo Inep, “sem deixar de confiar na responsabilidade do cuidado individual de cada participante”. Num cenário onde as escolas permanecem fechadas, sem qualquer aparente esforço para interrupção de uma letargia que acentua desigualdades, a decisão judicial aposta numa capacidade de regulação teoricamente aplicável pelas redes de ensino. Em São Paulo, por exemplo, as aulas recomeçarão em fevereiro com 35% da capacidade máxima. A experiência se baseia em Israel, que registrou um surto ao reabrir as escolas em maio passado. Estudo publicado por cientistas israelenses na revista científica da agência da União Europeia sugere evitar-se os três ‘Cs’: espaços fechados com pouca ventilação (closed spaces, em inglês), locais lotados (crowded) e ambientes de contato próximo (“close-contact settings”)”. Talvez aí haja um caminho por onde se andar nesta vital questão.