Já soa algo cansativa, para não dizer nefasta, a falsa dicotomia entre saúde e economia, tanto insuflada por autoridades mais interessadas em eleição do que em debelar a grave crise sanitária. Mas não deixa de ser um triste indicador das prioridades nacionais

a forma que a Educação foi tangenciada nesse debate. Salvo um apelo aqui e outro acolá, não houve voz capaz de colocar o retorno às aulas na agenda do País.

No momento em que os indicadores de mortes e internações por Covid-19 começavam a cair, uma súbita aceleração dos casos combinada com as festas de final de ano criam um cenário de ainda mais incertezas para as escolas. Diante disso, a manutenção do silêncio diante dessa questão coloca toda a sociedade numa inaceitável posição de omissão.

Em São Paulo, onde 2,6 mil escolas estaduais retomaram atividades em setembro, a Secretaria da Educação não contabilizou surtos da doença nas escolas.

Casos concretos como esse fornecem elementos para que a discussão avance, a começar pela importância de se incluir professores na lista de profissionais prioritários para a vacinação.

Sem essa conversa amadurecida, a tragédia do presente vai se estender tristemente pelos anos vindouros.