Dados da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos contribuem para a angústia dos mais de 41 mil brasileiros na fila à espera de um doador. Trata-se da subnotificação de morte encefálica, cujo diagnóstico é obrigatório e os hospitais devem avisar às Centrais Estaduais de Transplantes.

Segundo o último levantamento disponível, relativo a 2019, foram 11.400 casos. Desses, só 3.768 redundaram em doação.

O desempenho do processo de transplantes é medido pela taxa de notificação por milhão de população (PMP). No Brasil, se considerados só os doadores efetivos, fica em 18,1. Há também extremas oscilações regionais, com Estados mais populosos ( portanto com mais mortes) tendo resultado inferior ao dos menores. Na Espanha, referência mundial no processo como um todo, são 46,9 doadores PMP.

Do País europeu vem a inspiração para se avançar. Lá, estrutura forte de rede hospitalar combinada com intensa comunicação com a sociedade fez aumentar as taxas de doação de órgãos no país. Em 2019, 88% dos pacientes com diagnóstico de morte encefálica viraram doadores. Num momento em que a solidariedade se impõe com um valor humano, há aí um caminho a ser trilhado.