Quando se opta por uma política baseada na violência permanente, há uma nítida aposta no cansaço. A artilharia verbal e errática se destina a desarmar o oponente não pela robustez do argumento, mas pela poluição de significados. Derrama-se uma profusão de frases, nem sempre coerentes entre si a ponto de formar um conjunto claro de ideias, mas eficazes no objetivo de exaurir forças.

Soma-se a este ambiente delirante uma crise sanitária sem precedentes, como essa instalada pelo novo coronavírus, e teremos uma população exausta. E carente de resultados para além do discurso virulento estabelecido na esfera pública. Diante do vazio,
cuja atribuição de responsabilidade varia conforme a inclinação ideológica de quem avalia, a vacina surge com uma centelha de esperança.

A aprovação dos imunizantes pela Anvisa tira da seara político- eleitoral uma questão que, por ser de vida ou morte, jamais poderia ser submetida a esse tipo de interesse. Por isso o começo da vacinação no Brasil chega trazendo esperança.

Há um desejo coletivo de que as doses nos devolvam a saúde não
só no que tange ao vírus, mas também na política - há muito adoecida.