No Brasil, há um sentimento bastante sólido, mas nem por isso menos equivocado, de que democracia se faz só a cada dois anos, quando do chamamento dos cidadãos às eleições.

Pois esse período de troca no comando das prefeituras oferece uma oportunidade singular de se ampliar os horizontes da cidadania. Decisões tomadas agora, nos primeiros dias, sinalizam os rumos futuros da administração e também das cidades.

É preciso, por exemplo, observar a composição do secretariado. Os nomes foram designados à luz dos desafios importantes para a comunidade ou há muito espaço para a acomodação de ordem política, em alguns casos como prêmio de consolação a quem porventura tenha perdido a eleição?

Os atos que os novos gestores se esforçam por divulgar são meramente cosméticos para ganhos de imagem ou estão alinhados às promessas da campanha da qual saíram vitoriosos?

Não se faz uma democracia robusta sem a atenção permanente do cidadão. Se por um lado é razoável a tradição de esperar 100 dias de governo antes de se formular críticas mais consistentes, por outro é importante reagir a movimentos que, feitos hoje, podem seguir reverberando de forma incômoda ao longo dos mandatos.