Ao potencial já naturalmente infeccioso do vírus, o Brasil conseguiu somar os perigos inerentes ao estado de campanha eleitoral permanente, da qual não conseguimos nos desvencilhar. O novo aspecto de crueldade vai por conta da sinalização de um cenário ilusório para a vacinação. Instalou-se uma espécie de competição velada para ver quem avança em maior velocidade na vacinação. Seria um esforço desejável, não fosse o discurso não encontrar respaldo no ordenamento logístico do Ministério da Saúde.

A pasta, aliás, acumula tantas oscilações nas remessas de doses que soa ingênuo ou oportunista que gestores públicos façam projeções com faixa etárias, tendo-a como garantia. Ontem, por exemplo, Goiás recebeu 40% menos vacinas da AstraZeneca do que o esperado. Das 199,7 mil doses, vieram 119,7 mil. E a capital já fazia projeções para a população na faixa dos 50 anos, que precisaram obviamente ser revistas.

Quanto todos estão com a vida suspensa há 15 meses, imersos em incertezas e ansiedade, não parece sensato que sigamos nessa corrida insincera que, antes da saúde da população, mira somente as eleições de 2022.