O pânico de se expor ao novo coronavírus, em casos extremos, faz com que algumas pessoas deixem de dar a devida atenção a problemas que demandam cuidados médicos, como doenças crônicas e até mesmo câncer. Enquanto hospitais que tratam enfermidades infectocontagiosas estão à beira da saturação, a demanda por leitos clínicos em outras especialidades registrou queda de mais 50% no Brasil. Tanto que, desde maio, a Confederação Nacional de Saúde conduz uma campanha para alertar as pessoas sobre a importância de manter a continuidade dos tratamentos.

Ocorre que a iniciativa, louvável na essência, se perde caso a rede de saúde apresente limitações, como a registrada na edição de sexta-feira.

Um anos depois do contrato prevendo 20 cirurgias cardiopediá-tricas, o Hospital Estadual de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira, o Hugol, alega dificuldade para obter insumos e equipamentos para o cumprimento da meta. Enquanto isso, crianças com problemas cardíacos correm o risco de morrer ou ter quadro agravado.

Sexta, o governo acenou a retomada para agosto.

É preciso mesmo corrigir esses hiatos, para não configurar a contradição de se estimular a busca de serviços médicos ora indisponíveis.