Enquanto o componente ideológico se impõe no debate nacional, uma realidade cruel não se desfaz. A pandemia fez saltar aos olhos os obstáculos das escolas públicas rumo ao mundo digital.

Na maioria das unidades, em âmbito nacional, não havia sistemas on-line que pudessem unir professores e estudantes. A internet banda larga não chegava a 17,2 mil escolas urbanas, que, segundo o Censo Escolar da Educação Básica, representava 20,5% das escolas urbanas. Paralelamente, a desigualdade privou 4,3 milhões de estudantes brasileiros que não tinham acesso à internet quando o vírus se disseminou.

Semana passada, foi derrubado pelo Congresso o veto do presidente Jair Bolsonaro à lei que previa internet gratuita a alunos e professores da rede pública. Com isso, Estados receberão, ao todo, R$ 3,5 bilhões para investir em ações de conectividade, incluindo aí a aquisição de chips, tablets e pacote de dados. São recursos que atacam um problema crônico, cuja solução ganhou contornos de urgência com a pandemia.

Num tempo em que a internet se tornou ferramenta central do aprendizado, a exclusão digital elimina o futuro não só de jovens e crianças, mas do Brasil.