A questão do racismo no esporte está cada vez mais sensibilizando a sociedade. Pesquisa realizada em todo o território nacional, numa parceria entre a Universidade Zumbi dos Palmares e o Instituto Orbis, aponta que 86% dos entrevistados defendem punições severas para atos racistas, sobretudo se cometidos por atletas ou dirigentes dos clubes.

Num ambiente onde há quem considere imprópria a manifestação política no meio esportivo, outro ponto da pesquisa chama a atenção: 71,9% dos torcedores apoiam protestos feitos por atletas, simbolizando a luta racial. Como quase 35% dos participantes disseram já ter presenciado atos racistas em estádios de futebol, é legítimo supor que cresceu a percepção do crime naquilo que antes era cinicamente tratado como mero exagero de multidão.

Isso se deve em especial ao empenho daqueles que, numa estratégia de manutenção da dignidade, romperam o silêncio. Goiás, ao instituir sua Política Estadual de Combate ao Racismo no Esporte, como fez esta semana, caminha com tendência civilizatória.

Resta agora criar meios para que a lei possa ser devidamente aplicada e, quem sabe, um dia se tornar obsoleta pelo nosso amadurecimento.