Não é de hoje que, mesmo no contexto de simplificações grosseiras arquitetadas para fins eleitorais, a sociedade resolveu colocar a corrupção como ponto focal de seus esforços cívicos. O tema passou a dividir espaço no leque de preocupações com saúde, educação e segurança, o que é um sinal de maturidade. Independentemente da envergadura, o sistema corruptivo fere a sociedade, com reflexos nos custos sociais, econômicos, no meio ambiente, nos direitos humanos e inclusive nas liberdades fundamentais.
Tudo isso aumenta a pobreza e freia o desenvolvimento social.

Com o contágio político de certas ações de combate, houve ideias de se estancar os movimentos anticorrupção - quando o correto seria garantir a lisura dos processos e amplo direito de defesa aos suspeitos. É o que, aliás, parece ocorrer aqui no Estado, quando, ontem, o Tribunal de Justiça de Goiás bloqueou R$ 25 milhões dos prefeitos de seis cidades no Nordeste do Estado, sob suspeita de contratos ilegais com pessoal.

Trata-se de um trabalho extremamente técnico, que exige formação e tenacidade dos agentes de segurança. Estender esse rigor para além dos corredores de Brasília é um mérito que precisa ser destacado.