Goiânia é uma cidade em multiplicação. Não é difícil encontrar esquinas onde, até onde a vista alcança, a paisagem se resume a prédios e mais prédios, cada qual tentando tocar o céu. Mas não se trata de uma constatação meramente ocular. Desde o fim de janeiro, foram enviados 619.478 boletos de IPTU, o que dá um contorno matemático da abundância de imóveis na capital. É importante que isso fique posto para justificar o estranhamento com a indicação de um templo da Igreja Universal do Reino de Deus, da qual o prefeito Rogério Cruz (Republicanos) é licenciado, como um ponto de vacinação contra a Covid-19.

A Prefeitura apresentou justificativa, lúcida, de que há necessidade de um esforço coordenado para dar celeridade à imunização. Não há dúvida de que é preciso ampliar o número de postos de vacinação e avançar com rapidez nos grupos prioritários, até que toda a população tenha o direito de ser imunizada. Mas torna-se necessário que o discurso mostre coerência e novos pontos sejam espalhadas pela capital, garantindo isonomia no atendimento, conforto, segurança e agilidade no processo. É o mínimo que se espera de uma missão que se tornou a mais importante do século: a de salvar vidas.