Há um contexto preocupante, que só valoriza o esforço do Hospital Municipal de Aparecida de Goiânia (HMAP). Conforme reportagem na edição de ontem, a prefeitura antecipou a abertura de 10 lugares em unidade de terapia intensiva (UTI) e 30 em enfermaria voltados a crianças, inicialmente previstos para final de junho. Isso alivia parte da pressão verificada desde março, no auge da crise de leitos no Estado, especialmente com a superlotação no Hospital Materno-Infantil.

Mas esse problema, infelizmente, não é peculiaridade de Goiás. Entre 2010 e 2016, o Sistema Único de Saúde (SUS) fechou quase 10,1 mil leitos de internação em pediatria clínica (para pacientes de 0 a 18 anos), segundo levantamento inédito da Sociedade Brasileira de Pediatria. Em 2010, a rede pública tinha 48,2 mil vagas do tipo (entre leitos próprios e conveniados). Em 2016, caiu para 38,1 mil.

Só em UTIs neonatais, estruturas necessárias para atender recém-nascidos em estado grave, faltam 3,2 mil leitos, conforme parâmetro da Sociedade de Pediatria. Segundo a entidade, são necessários ao menos 4 leitos do tipo por mil nascidos vivos. No País, a taxa atual é de 2,9.

Diante disso, torna-se vital a responsabilidade dos gestores públicos, como nesse caso de Aparecida de Goiânia.