Numa construção que perpassou mais de uma década, a Reforma Psiquiátrica do Brasil constituiu-se numa flagrante evolução humanitária. Saiu-se do modelo de manicômios do final dos anos 80,onde pacientes de saúde mental eram confinados, para o desenvolvimento de programas de suporte nos Centros de Atenção Psicossocial, os Caps. Trata-se de uma rede de atenção essencial não só aos doentes, mas às famílias, que acabam impactadas diretamente.

Reportagem na edição de ontem mostrou como o sistema está fragilizado temporariamente em Goiânia. O Ambulatório Municipal de Psiquiatria encontra-se com quatro dos 10 psiquiatras lá lotados, derrubando as consultas para menosda metade. No Pronto- Socorro Psiquiátrico Wassily Chuc, a carência também se faz presente: são 3 especialistas para uma demanda que justificaria 26 deles.

Além dos prejuízos ao modelo e às famílias, a precariedade no atendimento à saúde mental tende a ter efeitos na economia. Transtornos mentais estão entre as maiores causas de afastamento do trabalho. Segundo a Previdência Social, em 2017, casos depressivos geraram 43,3 mil auxílios-doença.
Por todas os ângulos que se mire o problema, portanto, fica patente a urgência da solução.