A pandemia se prolongou tanto que perpassou uma eleição e se mantém enquanto outra surge no horizonte. Como no Brasil os políticos tendem a priorizar a manutenção no poder antes de qualquer outra agenda pública, o vírus acabou contaminando também as ações de governo.

O problema é que a dinâmica eleitoral tangencia a razão.

Primeiro veio a corrida da vacina, menos degradante do que negar a eficácia do imunizante, mas ainda assim temerária. Isso porque a pressa em anunciar novas doses nas redes sociais nem sempre se alinhava com a logística, gerando na população expectativas que seriam frustradas, quando não confundiam mais.

Agora surge um novo páreo, com prefeitos acelerando para ver quem volta à normalidade perdida, simbolizada pela dispensa do uso de máscaras. A demagogia é tanta que, sexta-feira, o Conselho Nacional de Secretários de Saúde publicou um apelo pela manutenção da obrigatoriedade do equipamento. Num país que recém começa a colher os efeitos da vacinação em massa, baixar a guarda seria favorecer o vírus em troca de algum dividendo eleitoral futuro.

Sigamos vigilantes, com a pandemia e o apetite de notoriedade que pode matar.