A paisagem na capital ontem, primeiro dia do decreto do Paço determinando o fechamento de atividades não essenciais, apresentou duas realidades. Uma, ao ar livre, com comércio fechando e um certo ar de domingo numa segunda-feira. Outra, no transporte coletivo, com pessoas aglomeradas em espaços diminutos, favorecendo o ambiente para a proliferação do vírus em meio a um esforço pesado e coletivo em contrário.

O transporte público já vinha em dificuldades. Segundo a Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos, nos últimos cinco anos houve uma perda de 26% do volume de passageiros. Os fatores vão desde a inflação crescente, com reflexos na tarifa, desemprego e avanço do transporte por aplicativos. A circulação em pequenas distâncias se dá exatamente nas áreas onde há grande concentração de demanda, que compensa o déficit com as linhas mais longas. É certo que o foco das autoridades precisa estar na saúde, aumentando a segurança de todos. Porém, no médio prazo, a pandemia que agravou o quadro de desequilíbrio financeiro do setor deveria servir de oportunidade para que o modelo de operação baseado principalmente no pagamento de tarifas pelos usuários seja pelo menos rediscutido.