Ainda que sob indecente lentidão, o avanço da imunização contra a Covid-19 enseja reflexões. Do ponto de vista de saúde individual e coletiva, o objetivo principal de qualquer vacinação é reduzir a incidência de casos graves da doença, com reflexos benéficos na mortalidade relacionada à doença.

Certamente, a vacinação também se propõe a impedir o adoecimento e a transmissão da doença, até mesmo para aqueles que não foram vacinados. Numa situação ideal, da qual estamos infelizmente distantes, não haveria escassez de doses e os critérios de prioridade seriam dispensáveis.

Mas com a pandemia ainda em plena atividade e aquisição de vacina insuficiente para o tamanho da população, a clareza dos critérios se torna essencial. É preciso também resistir a pressões classistas, que buscam, pela força da política, ganhos setorizados em sacrifício do conceito republicano.

Por essa razão, quando se busca abrir a aplicação das doses pelo critério da idade, a transparência se faz preponderante. Haverá afunilamento, muito em razão da postura daqueles que, em vez de projetar a imunização universal do povo, preferiram paranoias de cunho xenofóbico.