O POPULAR mostrou ontem uma faceta do trabalho infantil que costuma ser ignorada pela maioria das pessoas e, de tão arraigada à nossa cultura pela frequência com que ocorre, é tida por diversas pessoas como algo normal: a chamada “adoção à brasileira”, em que famílias levam para dentro de casa menores de idade para cuidarem dos filhos e dos afazeres domésticos.

Travestida de caridade, pois muitas vezes o que se propõe às famílias mais pobres é tirar a criança da miséria e oferecer um lar mais estruturado e um emprego, a prática é ilegal. A legislação brasileira proíbe o serviço doméstico para menores de 18 anos.

A Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRTE) chegou a flagrar um caso de uma adolescente de 12 anos que cuidava de uma idosa de 82 no período noturno em troca de R$ 200 por mês, que eram pagos à mãe da jovem. Os casos registrados em Goiás estão acima da média nacional, mas o grau de subnotificação deste tipo de irregularidade é enorme e encontra como barreira o discurso de que esses jovens estão recebendo o amparo que não teriam em seus lares de origem.

Segundo a própria SRTE, o combate ao trabalho infantil depende das denúncias de vizinhos e familiares, muitas vezes coniventes e até desinformados sobre a irregularidade. Colocar uma criança dentro de casa para fazer as tarefas domésticas oferecendo como contrapartida estudos e um lar, não é adotar. É simplesmente exploração de trabalho infantil.