Ao término de um ano atípico, quando as desigualdades sociais se desnudaram de forma contundente, é chegada a hora encarar os desafios de 2021. Nesse contexto, a educação se impõe como uma prioridade. O ano que permitiu ao setor experimentar novas linguagens pedagógicas também colheu os dissabores da pressa com que esses processos foram implantados. O resultado foi uma certa letargia ainda longe de arrefecer.

Ademais, no método de educação a distância, a formação acentua abismos de classe. Há estudantes com ambiente doméstico para estudos, com computador e silêncio. Mas há outros sem qualquer recurso, vivendo em famílias numerosas em casas de um ou dois cômodos e com dificuldades básicas de sobrevivência. Consentir com a letargia na educação é patrocinar o desequilíbrio.

O cenário só não foi mais dramático graças a ações simples e pontuais, como a noticiada nessa edição. A Secretaria de Estado da Educação, ao disparar duas mensagens semanais durante um mês para estudantes e pais de alunos dos Centros de Ensino em Período Integral , reduziu a taxa de evasão escolar em 77,3% se comparado aos que não receberam. Uma bela iniciativa, mas que também ilustra o perigo de se relegar a educação a segundo plano numa crise sanitária.