Pelo menos quatro mil goianos estão vivos hoje, em meados de junho de 2021, pelo processo de vacinação deflagrado em janeiro. É o que aponta levantamento encabeçado pelo repórter especial Márcio Leijoto, com base na evolução dos óbitos do grupo abaixo de 60 anos de idade e publicado nessa superedição de fim de semana. O mesmo cálculo sinaliza a vertiginosa queda na morte de idosos, que atualmente são apenas a metade das vítimas da doença que aturde o mundo.

Num ambiente de assombrosa desonestidade intelectual, quando a narrativa delirante formulada para fins de viabilização política tenta se sobrepor aos fatos e a opinião contaminada assume caráter de verdade, a matemática surge como uma vacina. Os números interrompem os delírios até do mais empedernido negacionista, sendo um poderoso anteparo contra o mal que paira sobre a nossa civilidade.

Ao promover nesse tipo de mergulho nos dados para a compreensão da realidade, o jornalismo se esquiva da virulência endereçada pelo atual estados das coisas no País, para reafirmar seu compromisso, do qual não pode se arredar, sob pena de não mais ser o que sempre foi.