A distribuição de 1,8 mil kits de ivermectina numa paróquia de Aparecida de Goiânia reacende um debate que, desde março, vai e vem: o uso indiscriminado de medicação sem a eficácia comprovada para combater o novo coronavírus. Segundo a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), o emprego do antiparasitário sem critérios oferece efeitos colaterais, que vão da febre à taquicardia.

As potencialidades antivirais do medicamento ainda são incipientes, mas a discussão pontual reduz o fenômeno maior, que é a politização da cura. Não cabe à classe política e aos leigos o proselitismo farmacológico.

Trata-se de uma postura socialmente perigosa, sobretudo diante das incertezas por que passamos. Soluções fáceis para problemas complexos, ensina a máxima, raramente se justificam.

Também convém questionar opiniões teóricas isoladas de médicos, mesmo os de reputação ilibada e sólida, quando contrariam protocolos sanitários da Organização Mundial da Saúde. É preciso estarmos alertas aos oportunismos e avançar com segurança rumo ao cenário que todos almejam: um mundo realmente livre da pandemia que nos isola.