A imagem se impõe como o retrato local da tragédia humana provocada pela pandemia, quase sempre tangenciada nos debates estéreis de cunho meramente eleitoral, a respeito da postura do Brasil diante da crise sanitária. Sob o sol matinal do céu sem nuvens do Cerrado, pessoas se postam umas atrás das outras, sem um distanciamento minimamente seguro, na esperança de aliviar uma necessidade tão urgente quanto elementar.

A fila para a distribuição de cestas básicas perto do Centro de Referência de Assistência Social do Bairro Floresta, captada pela lente de Diomício Gomes, expõe um desespero que, no seio da classe média, parece abstrato. Mas é absurdamente real.

Ainda que a fila não se justifique na prática, visto que a Prefeitura fará a distribuição de 5,5 mil cestas de mantimentos por escalonamento até sexta-feira, a rigor ela quantifica o desamparo.

Para a equipe econômica do governo federal, a crise oriunda da pandemia traz quatro grandes desafios: aumento da pobreza, desemprego, a torrente de falências e a adoção de métodos mais eficientes na oferta de crédito a empresas.

Para encará-los, não é mais possível fingir que não existe o que ficou claramente exposto ontem numa rua da região Noroeste de Goiânia.