A inflação é um fenômeno que atinge a todos, mas, como ocorre em países desiguais como o Brasil, castiga uns mais que outros. Reportagem nesta edição mostra a face humana de quem vê a capacidade de compra encolher em Goiás, a ponto de precisar improvisar, quando não simplesmente abdicar do básico. Enxergar as consequências concretas daquilo que os números avisam reiteradamente é um meio de chamar a atenção para o problema. Parece óbvio, mas não num país tão disposto a gastar energia em debates inúteis e paranoicos.

Ao fim de junho, quando o Banco Central entendeu que as pressões inflacionárias neste ano não são temporárias, ficou patente que o ciclo de alta na taxa básica de juros (Selic) seria mais longo do que o inicialmente previsto. Ocorre que essa pressão nos preços não se dá por aumento da demanda. A crise hídrica, que deverá ficar no radar até 2022, impõe o peso de bandeira vermelha no orçamento de empresas e famílias. A pobreza avança, para quem tiver a boa-fé de enxergar o mundo sem lentes ideológicas.

É hora, pois, de focar no que precisa ser feito, com mais trabalho e menos bravatas, sob pena de devolvermos o país a um patamar de miséria que julgávamos superado.