Com o oitavo aumento no preço do gás de cozinha só neste ano, o produto torna-se cada vez mais inacessível para famílias pobres, embora seja um item essencial para a sobrevivência. Reportagem nesta edição mostra que em algumas cidades de Goiás o botijão de gás já custa R$ 130 reais, valor que corresponde a quase 12% do salário mínimo. Com a inflação nas alturas, elevado índice de desemprego, reajustes sucessivos nos alimentos, a disparada no preço do gás acrescenta mais um ingrediente perverso no cenário de grave crise humanitária. Sem recursos, as camadas mais pobres da população acabam sendo forçadas a buscar meios alternativos de cozinhar, como o uso de fogão a lenha ou até mesmo álcool, resultando em acidentes com queimaduras. Com o avanço da vacinação, redução da transmissão e sinais de retomada da economia, o emprego tende a crescer, mas os efeitos sociais da crise, com um rastro de miséria e fome, tendem a se arrastar ainda por anos. Por isso, medidas de assistência social e revisão da política de preços são prementes. A pandemia tem consequências cruéis e o esforço dos governos deve ser concentrado em reduzir esses efeitos sociais o mais rápido possível.