O Brasil é um dos países mais populosos do planeta e a economia, embora oscilante, figura entre as 20 maiores. Ainda carregava até pouco tempo uma experiência em imunizações em massa que era referência mundial. É doloroso que esteja patinando no processo de vacinação justo quando uma pandemia nos atravanca a rotina, ceifando vidas, tirando empregos e devolvendo milhões à fome. É doloroso, mas não surpreendente.

Enquanto ao longo do ano passado lideranças sérias se anteciparam em contratos junto à indústria farmacêutica, por aqui uma paranoia delirante, com traços xenofóbicos, nos afastou grosseiramente da ciência. Apostou-se em remédios milagrosos de um lado, e na sabotagem urdida com fins eleitorais de outro. O resultado está aí, nessa vacinação que chega literalmente a conta-gotas, com as pessoas encerradas em casa como única alternativa para que não morram sem ar na fila de uma UTI.

É justamente pela delicadeza da situação que os governantes mais lúcidos não podem jogar com as esperanças de um povo massacrado pelas circunstâncias. Traçar promessas de imunização para depois desfazê-las, mais que um erro de gestão, é hoje de uma crueldade inaceitável.