Ao atingir as 20 mil mortes por Covid, Goiás experimenta, de forma dolorosa, sua parcela na tragédia humana ainda em curso entre nós. O avanço da vacina, embora ofereça elementos de otimismo, com a queda nos óbitos e nas internações, também dá o contorno da frustração. Enquanto países que seguiram a ciência e se empenharam na compra de doses ensaiavam uma volta controlada à normalidade, os brasileiros sofriam, vendo suas famílias encolhidas prematuramente.

Os goianos que dividem suas dores com o público nesta edição, narrando como lidam com ausências recentes e insubstituíveis, respondem a tragédia com generosidade. Ao permitir que outros enxerguem o drama da perda, cria-se um ambiente para a manutenção dos cuidados e para a reflexão sobre as escolhas feitas pelas homens públicos.

O menosprezo pela doença desde sempre foi predominante em Brasília. Depois, por questões eleitorais, houve hesitação - para não dizer sabotagem - do processo de aquisição das vacinas. Por fim, pairam suspeitas sobre a lisura nos contratos de compra de imunizantes. Tudo isso indica uma certa gratuidade na tragédia, pessoal e coletiva, que não pode ser esquecida.