Era junho de 2018, eu acabava de ser contratada no O Popular e tinha uma viagem marcada para agosto do mesmo ano. Seriam 10 dias em Gramado para comemorar o aniversário da Cecília. Hotel pago, passagem marcada, e foi aí que o marido foi contratado também em um novo emprego. Assinando o meu contrato, eu disse que tinha uma viagem, negociei horas extras e deixei tudo organizado. Ele sentiu medo, não quis falar com o chefe e me disse que não iria. Meu primeiro pensamento foi desistir, mas não: eu fui sem ele! 

Convidei minha mãe pra ir junto, chamei prima, pensei em não ir e aí o Kadu me disse: vai com ela. Parque de neve, casa do Papai Noel, fábrica de chocolate, 10 dias naquele lugar lindo: sem o Kadu. Senti medo, claro. Acho que algumas pessoas da família me julgaram por ir sem ele, mas a gente conversou, ele disse que tava tudo bem e eu fui. Duas malas, uma criança de quase 3 anos, dois vôos, escala, horas no aeroporto, um ônibus e chegamos. 

Ensinei a Cecília a carregar uma mala de rodinha, organizei a maioria dos passeios pro período da manhã, quando ela estaria mais disposta. Saí do hotel mais tarde um pouco do que sairia, jantamos quase todos os dias na cama. Ela dormia cedo, eu organizava o dia seguinte. Foi uma viagem incrível e cansativa. Eu senti muitas saudades, nunca tinha passado tanto tempo longe em mais de 11 anos de relacionamento. Mas eu fiz amigos, conheci gente no caminho, saí com dois casais, um que também tinha filhos, fiquei amiga do recepcionista do hotel que esquentava o mamá de noite e de um casal de idosos que completava 50 anos de casamento.

Estar sem o Kadu me fez perceber o quanto eu queria que ele estivesse lá. E mais, me fez perceber que eu conseguia viver uma vida sem ele, mas que eu não queria. Eu podia ir, mas eu queria ficar. Financeiramente eu sempre fui independente, mas eu achava que passeios não teriam nenhuma graça sem ele, que eu não queria viajar sozinha, sair sozinha, viver sozinha. Mas não, essa viagem me mostrou, esfregando na minha cara, que estar junto precisa ser uma escolha. E eu fiz a minha. Eu escolhi essa família. 

Depois que voltei de Gramado, com mais saudades que nunca antes, eu percebi que eu precisava saber aproveitar a minha própria companhia e que eu tinha obrigação de aproveitar meu tempo com a Cecília. Eu não precisava esperar o final de semana pra ir com ela a um parque, se durante a semana eu tinha vários dias disponíveis. E enquanto o papai trabalhava, a gente aprendeu a se divertir. E quando ele estava junto, a gente descobriu que era ainda melhor. Clube na terça-feira, sorvete no meio da tarde de quarta. Peguei firme na psicanálise, voltei a dançar. 

Outro dia, falando com uma amiga, ela disse que enfrentava problemas muito sérios com o marido, mas que financeiramente não podia sair. Disse que pela filha, aguentava "muitas coisas". Se você não é livre pra ir, ficar não é uma escolha. Quantas mulheres permanecem em relações por causa de dinheiro, de dependência emocional, ou por causa dos filhos, da sociedade, da vergonha de ir embora? Do medo! Eu gostaria que todas vocês fossem livres pra partir e assim pudessem decidir sobre ficar ou não. 

Relacionamentos são difíceis. São diferentes das novelas, dos filmes. Exigem dedicação, esforço, vontade. Mas também precisam ser leves e fazer bem. É aquela frase da Marília Mendonça no meio da música da Luísa Sonza: 'O amor é uma escolha, não uma necessidade. Eu gosto de você, mas eu não preciso de você'. 

Eu tinha mania de sofrer com término de gente famosa. Quando a Fátima Bernardes se separou eu fiquei arrasada. O que isso tem a ver com a minha vida? Tudo, né? Cada vez que um amor se transforma em outra coisa a gente acha que pode acontecer com a gente. E pode! Mas além disso, eu entendi, que outra felicidade chega. Fátima hoje lá, feliz, com um namorado incrível.

Tenho uma amiga que foi. Depois de anos juntos, ela foi. Ela não era mais feliz e hoje tem um amor que cola Post It pelo apartamento, tem amor que brilha na testa! A gente precisa poder ir. Existem outros caminhos. Se for embora for a tua escolha, outro amor incrível pode aparecer. Eu escolho ficar porque eu sou feliz aqui, porque essa relação me faz bem, porque amo e sou amada, porque nos respeitamos e nos fazemos felizes. 

Você que fica: já se perguntou porquê?