Brasil beligerante

O crescimento da letalidade policial, fruto da política de beligerância apregoada aos quatro ventos pelo capitão presidente Jair Messias Bolsonaro, suspeito de prevaricar, segue quebrando recordes. As estatísticas inseridas no bojo da 15º edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, elaborado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgado na quinta-feira (15), falam por si, aliás, gritam; estarrecem. Nem mesmo a reduzida circulação de pessoas, em razão das restrições impostas ao direito de ir e vir, em tempos de pandemia, conseguiu arrefecer a escalada de mortes pelas forças de segurança em 2020. Foram 6.416 óbitos. Desde 2013, início da publicação, um lúgubre incremento de 190%. Aos militares a autoria de 76% das mortes, diz o anuário. Amapá, Rio de Janeiro e o nosso Goiás têm papel de destaque no quantitativo dessa matança. Nos três, o porcentual de mortos pela polícia é maior que 25% em relação ao total de mortes violentas. Amapá, com 13,0 mortos a cada 100 mil habitantes, está na vanguarda dessa letalidade policial. A média nacional é de 3,0. O anuário registra que 50 cidades são responsáveis por 55% de todas as mortes cometidas por policiais em 2020. Os negros, 56,3% do total da população, seguem como o principal alvo das forças de segurança: 78,9% das vítimas – prova “latente” do racismo estrutural presente em nossa “sociedade”. Felizmente, os que ainda vociferam que “bandido bom é bandido morto”, já não representam o pensamento da maioria da população. Cabe também lembrar que a barbárie atenta contra a dignidade humana e ao Estado Democrático de Direito.

João Bosco Costa Lima

Jardim Salvador – Trindade-GO

 

 

Fundo eleitoral

Em sessão conjunta no Congresso, 275 deputados federais e 40 senadores, em sua maioria do Centrão, pra variar, aprovaram em votação simbólica as diretrizes do orçamento de 2022, incluindo no texto o que já era um absurdo, novo valor para o tal fundo eleitoral, que passará dos atuais R$ 2 bilhões para quase R$ 6 bilhões. Com tantas demandas por esse país, a turma se reúne, mostra eficiência e altera normas e leis numa velocidade impressionante. As alegações não convencem um brasileiro minimamente informado e sinalizam a urgência de termos critérios nas eleições em 2022. Será mesmo que essa turma ainda ganha voto de gente séria? Por qual motivo sermos obrigados a custear essa farra? Uma deputada de Goiás disse que “sem dinheiro não tem como fazer campanha”, não se candidata então minha senhora! Ou peça recursos junto aos apoiadores e use o próprio! Eu fiz um compromisso de lembrar, todos os dias, ao menos um goiano, o nome dos 13 federais de Goiás que votaram contra nós, pagadores de impostos. Isso é inadmissível!

Elison Bernardes

Setor Oeste - Goiânia