Onde quer que se esteja, é impossível falar de 2020 sem citar a pandemia do novo coronavírus. As medidas restritivas para evitar a proliferação da Covid-19 mudaram a vida ao redor do globo. A pandemia parou os setores aéreo e turístico, paralisou cidades, postergou eventos esportivos como as Olimpíadas de Tóquio, impôs uma série de restrições à locomoção das pessoas e mudou o estilo de vida de todos. A economia afundou e os sistemas de saúde entraram em colapso em vários países.Apesar de a nova doença ter sido descoberta na China ainda em 2019, foi na Itália que ela teve a primeira grande evolução no número de casos, que produziram imagens marcantes como as filas de caixões em Bergamo, uma das cidades mais afetadas. O vírus, porém, logo se espalhou pela Europa e chegou à América. Reino Unido, Espanha, Estados Unidos e Brasil foram os próximos epicentros. Cada novo decreto de fechamento do comércio e de limitação de movimentação atingia em cheio a economia. Ruas ficaram vazias, imagens de animais silvestres passeando por onde antes era uma Veneza abarrotada de turistas impressionaram. O Papa Francisco rezando só na deserta Praça de São Pedro, quando concedeu a indulgência plenária aos católicos de todo mundo, foi outro marco.O episódio, talvez, mais marcante para a economia global ocorreu em 20 de abril, quando o petróleo tipo americano WTI fechou cotado a US$ 37,63 negativos. Ou seja, vendedores davam esse valor para cada barril que o comprador quisesse adquirir. Isso aconteceu pelo rápido e grande decréscimo na demanda devido à pandemia. Negociadores que haviam comprado o produto no passado, com a estratégia de revender mais caro, não acharam compradores e tiveram que ofertar dinheiro junto com o petróleo para se desfazer dos barris.Outro ponto negativo na área econômica foi que o acordo comercial mais esperado na Europa desde 2016 só foi alcançado na quinta-feira, 24, portanto, com 2020 chegando ao fim. Apesar do divórcio entre Reino Unido (RU) e União Europeia (UE) ter, finalmente, ocorrido depois de quase quatro anos, o Brexit continuou na pauta, já que as duas partes demoraram a chegar a uma solução para as regras futuras do comércio bilateral.InfluênciaPolítica e economia andam lado a lado, uma influenciando a outra, mas em 2020 a pandemia teve um forte impacto em ambas. Foi uma pedra no caminho do presidente dos Estados Unidos o republicano Donald Trump, que perdeu a reeleição.No início do ano, tudo indicava que as eleições americanas seriam muito equilibradas. Apesar do seu jeito polêmico e posições radicais em temas como migração, meio ambiente e direitos humanos, Trump começou 2020 com boa posição devido, principalmente, ao favorável desempenho da economia local. No dia 11 de março, a projeção da revista The Economist apontava vitória de Trump sobre o democrata Joe Biden no colégio eleitoral por uma diferença de 14 delegados.À medida que o vírus atingiu os Estados Unidos e Trump, principalmente no início, se manteve cético, Biden disparou nas projeções. Além de várias atitudes tomadas para minimizar a pandemia, como o confronto com governadores que decidiram decretar lockdown à medida que os casos aumentavam, o republicano também viu os bons números da economia cair, da noite para o dia, como um castelo de cartas. O PIB do país tombou 4,8% no primeiro trimestre e, entre março e abril, 26 milhões (um número recorde) de americanos pediram seguro desemprego.Nos meses anteriores à eleição, Trump conseguiu se recuperar parcialmente - muito devido aos programas de ajuda emergencial do governo federal e da melhora no quadro da pandemia durante o verão -, mas não a ponto de virar o jogo contra Biden. Sobrou a ele uma grande ofensiva ao voto antecipado pelos correios, que foi ampliado devido à Covid-19. Após a derrota, tentou desqualificar o processo, mas acabou engolido pelo óbvio.ProtestosOutro fato que ajudou a impedir um segundo mandado de Trump foi sua reação negativa em relação às marchas antirracistas que ocorreram a partir do assassinato do afro-americano George Floyd por um policial branco da cidade de Minneapolis durante uma abordagem em 25 de maio. Floyd foi sufocado até a morte e outros três policiais que estavam no local não fizeram nada para impedir o crime. Mesmo em meio à pandemia, ondas de protestos sacudiram os Estados Unidos. O republicano minimizou o caso, condenando os atos com mais dureza do que o próprio assassinato em si.Aliás, protestos civis em vários lugares do mundo foram constantes. Em Hong Kong, a marcha contra um projeto de lei de extradição, que começou em 2019, não parou em 2020. Cidadãos pressionaram para conter a diminuição da autonomia da região administrativa especial em relação à China. Na Tailândia, várias marchas contrárias à monarquia e ao governo comandado pelos militares ocorreram a partir de meados do ano. Outros lugares também tiveram um ano cheio de protestos, como Chile, Índia e Líbano.Neste último, um grande desastre destruiu parte da capital Beirute no dia 4 de agosto. Um depósito que armazenava nitrato de amônia no porto da cidade explodiu, atingindo vários bairros. Na verdade, o lamentável episódio só deu novo combustível aos manifestantes, que já vinham realizando atos contra o governo desde 2019.