Chega hoje aos cinemas o 50º filme de Renato Aragão, e ele celebra a data com uma produção especial: uma nova história para os Os Saltimbancos Trapalhões, que estreou no cinema em 1981, virou musical no teatro em 2014 e, agora, ganha nova versão para o cinema. Saltimbancos Trapalhões: Rumo a Hollywood é um musical, mas também uma homenagem ao circo.

“Não é um remake. Esse filme surgiu de uma peça de teatro que fizemos e estava sempre lotada. O roteiro já era do Claudio Botelho e do Charles Möeller. Como foi um sucesso, pensamos em fazer uma passagem pelo Saltimbancos dos anos 1980 com uma história nova. Convidamos o Mauro Lima, e esse trio escreveu uma história totalmente diferente, mas que envolve todas as músicas do Saltimbancos que são eternas”, diz Renato Aragão.

Os personagens são praticamente os mesmos do primeiro filme. Na história atual, Didi trabalha na faxina e Dedé vende pastel no Grande Circo Sumatra, que está falido. Tudo começou a ruir quando o dono, o Barão Bartholo (Roberto Guilherme) é proibido de usar animais no espetáculo. Com o apoio do vilão Assis Satã (Marcos Frota), o Barão tem a ideia, então, de alugar a lona para eventos do prefeito corrupto Aurélio Gavião (Nelson Freitas).

Renato Aragão quis valorizar o novo circo. “É preciso tomar o exemplo do Cirque du Soleil [circo de origem canadense que tem espetáculos espalhados por todo o mundo] e tirar os animais de cena. O Brasil tem essa proibição. Os bichos têm de viver livres, essa é a mensagem que eu tentei passar. Mas o circo precisa continuar vivo e se renovar”, defende Aragão.

Juntos em cena, Didi e Dedé Santana brincam o tempo todo um com o outro. “Quando a gente se encontra é assim, só momentos de alegria. Um fica sacaneando o outro. Somos duas crianças”, diverte-se Aragão.

Depois de 25 anos na TV com Os Trapalhões (Globo), o grupo que tinha Didi, Dedé, Mussum (1941-1994) e Zacarias (1934-1990) se separou em 1994. Renato Aragão fez alguns filmes sozinho, até que, em 2008, retomou contato com Dedé, e os dois voltaram a atuar juntos.

Neste longa-metragem, não há como não se lembrar do auge dos humoristas no cinema. Na última cena, Aragão conta que foi às lágrimas. “Era para eu entrar no picadeiro e ficar com a turma, aplaudindo, mas eu não segurei a barra. Com aquela música de fundo, eu arriei. E eles aproveitaram para me fazer pagar mico”, brinca, já que a choradeira virou uma cena do filme. “Estou realizado. Chegar ao 50º filme é um belo presente de aniversário”, conta Aragão, que fez 82 anos em 13 de janeiro.