Aos 23 anos, a garota que desde os 14 alisava o cabelo para se achar tão bonita quanto as amigas decidiu parar com a química. A escolha pela transição capilar veio depois que a professora Ana Cecília Martins passou um tempo observando as mulheres que conhecia e que, assim como ela, também optavam por esticar os fios. “A maioria dos cabelos eram feios e sem brilhos. Foi aí que a minha ficha caiu. O meu também não era bonito. Era apenas liso”, lembra. Em fevereiro do ano passado ela fez a última escova progressiva e desde então convive com a indefinição das madeixas.

No meio do processo Ana resolveu fazer o Big Chop, corte drástico também chamado “grande corte” e que tira por completo a parte do cabelo que ainda tem alguma química. Na época também cortou da rotina chapinha e secador. “Fiquei muito insegura no começo e por muito tempo não gostei do que via no espelho. Passei a ignorar meu cabelo e acho que ainda estou nesta fase, apesar de hoje ser satisfeita com minha aparência. A grande mudança é que estou aprendendo a lidar com meu cabelo e a entendê-lo. Ando entendendo um monte de outras coisas sobre mim e sobre como eu vejo o mundo. Deixei de me importar com a opinião alheia e com as críticas.”

A professora usou a mudança capilar para embarcar em outra causa e incentiva as alunas, que têm em média nove anos, a assumirem os fios exatamente como são. No ano passado a atriz Samara Felippo descobriu a importância desse estímulo e chamou atenção ao falar sobre a crise de aceitação da filha, Alicia, 7 anos, diante dos cabelos cacheados. Na época Samara destacou a pouca representatividade de cacheadas e crespas mais jovens na mídia, injustiça que vem sendo, cada dia mais, reparada com exemplos como o da atriz americana Amandla Stenberg, 18 anos, que transformou a vergonha em orgulho.