Uma comédia de costumes protagonizada por Fernanda Torres e Alexandre Nero, acompanhada do humor ácido de Johnny Massaro e Lara Tremouroux. O resultado não poderia ser outro que Filhos da Pátria, série da Rede Globo. Em sua segunda temporada, que estreia terça-feira, depois da novela A Dona do Pedaço, a família tradicional brasileira vai parar no auge dos anos 1930 para ilustrar os acontecimentos sociais e políticos da época.

Se na primeira temporada a família Bulhosa vivia em 1822, um país otimista e recém-independente, agora ela aporta em um Brasil da Era Vargas, das promessas de modernidade e do impulso à industrialização. Com texto de Bruno Mazzeo e direção artística de Felipe Joffily, a nova leva de episódios reflete uma crônica cheia de humor ácido e sagaz sobre a construção da sociedade brasileira.

“A ideia é mostrar que o Brasil está sempre recomeçando, um agora vai. Sempre está acontecendo alguma coisa que parece que vai dar certo e, de repente, volta tudo”, explica o escritor. Segundo Mazzeo, a primeira temporada se passava no período da Independência do Brasil, com um novo País surgindo. “Nessa temporada, temos, mais uma vez, um novo Brasil aparecendo. Vargas chega acabando com a política do café com leite, mais um agora vai. A ideia da série é falar da nossa história tentando entender porque temos sempre essa esperança”, destaca.

Todos os personagens de Filhos da Pátria mantêm as mesmas características excêntricas de suas histórias anteriores, como a deslumbrada e defensora ferrenha dos valores morais Maria Teresa (Fernanda Torres). Na história, Geraldo (Alexandre Nero) é um pacato e apagado funcionário público do Palácio do Catete. Sem grande desenvoltura ou ideais, se vê levado a abandonar seus poucos princípios éticos para sobreviver às pressões que o ambiente de trabalho lhe impõe.

De oprimido, o personagem passa, com o tempo, a opressor e até começa a se sentir merecedor de ganhar “um por fora”. “Os personagens continuam com a mesma personalidade, só que, ao serem transportados 108 anos à frente, o mundo é outro, a realidade é outra”, destaca Mazzeo. Em plenos anos 1930, os Bulhosa convivem com a era da modernidade implantada por Vargas, época de ouro da rádio, do samba e carnaval como símbolo nacional, da era industrial e dos eletrodomésticos.

“É uma época muito rica: o surgimento do rádio, o carnaval se firmando. Era preciso pegar esses fatos tão importantes, que não dependem de um conhecimento político, e falar sobre isso”, destaca Mazzeo. Com personagens cômicos e que são retratos e caricaturas, independente das épocas distintas de Filhos da Pátria, o escritor explica que, mesmo quem não conhece a história política vai entender a série. “Não vemos o Getúlio nessa temporada, assim como não vimos d. Pedro na primeira.”

Ambientação

Para voltar até os anos 1930, a produção de Filhos da Pátria precisou pesquisar todo o período que se inicia a Era Industrial no Brasil. A personagem de Fernanda Torres se apaixona pelo rádio, o telefone e os eletrodomésticos, como enceradeira e geladeiras mais modernas. Parte da série também foi gravada em locações importantes da época, e que ainda estão preservadas, como o Centro do Rio de Janeiro, o Teatro Municipal, Palácio Tiradentes, Confeitaria Colombo e, claro, o Palácio do Catete, que tem status de protagonista da história.

Elenco

A nova temporada de Filhos da Pátria não poderia deixar de lado o personagem Pacheco, vivido pelo ator Matheus Nachtergaele, um funcionário público do alto escalão, superior imediato de Geraldo (Alexandre Nero). Corrupto, o personagem é figura que circula pelos bastidores da política e é operador de um poderoso ministro, comprometido a combater o progresso. Há ainda no elenco da série nomes como Sérgio Loroza, Jéssica Ellen e Bruno Jablonski.