Um dos argumentos do ministro da Educação, Medonça Filho, é que não é legal universidades públicas alocar professores e recursos financeiros para promover uma disciplina que não teria base na ciência e seria apenas a promoção de uma tese de um partido político. O reitor da UFG, professor Edward Madureira Brasil, explica que as unidades acadêmicas têm autonomia para propor e aprovar conteúdos em seus órgãos colegiados. “Neste momento, há centenas de outras disciplinas de núcleos livres como essa sobre os mais diversos temas. Não existe nenhum tipo de censura na UFG”, destaca.

Para o reitor, que foi candidato a deputado federal pelo PT na eleição de 2014, é importante que a disciplina sobre 2016 seja conduzida nos princípios do contraditório, do debate e do respeito às diferenças ideológicas. “A universidade é o lugar das ideias diferentes. O mundo não teria avançado tanto se não fosse isso. Vejo o debate como salutar.” Para ele, o fato de existir, inclusive no ambiente universitário, uma polarização muito intensa, por vezes, atrapalha o debate acadêmico do tema. “Estamos vivendo um acirramento muito grande e desnecessário. Instaurou-se uma disputa por ideário que extrapola no sentido da falta de civilidade. Isso, sim, é um grande problema”. A liberdade de pensamento é a ideia seminal das universidades.

A avaliação dos professores da UFG ouvidos pela reportagem do POPULAR é de que a universidade pública é mais receptora de que propagadora da polarização existente na sociedade. Haveria até benefícios nessa disputa, pois ela traz para a agenda de debate público alguns temas caros ao País. “Por outro lado, identifico que boa parte das discussões é rasa, passional e pouco provida de argumentos qualificados. Isso certamente é maléfico, pois tende mais a afastar do que a aproximar pessoas com ideias distintas. Mas isso não pode atrapalhar o debate acadêmico do tema. Conheço boa parte dos docentes da UnB e da UFG que estão promovendo os cursos sobre o golpe e atesto a qualidade profissional deles”, explica o professor Robert Bonifácio, de Ciência Política da UFG.