“A Quasar Cia. de Dança vai sofrer uma paralisação de toda a sua estrutura.” A notícia apresentada pelo coreógrafo Henrique Rodovalho com exclusividade ao POPULAR emenda-se ao longo suspiro de quem trabalha há 28 anos num projeto que mescla dança e profissionalização. Uma das companhias mais expressivas de dança contemporânea do País, a Quasar vai sofrer a partir do próximo mês uma estagnação em suas atividades permanentes, como o corpo de bailarinos e todo o complexo de produção que integra a companhia. O motivo é apenas um: “sem os subsídios não conseguimos dar continuidade à qualidade impressa nos trabalhos que elaboramos diariamente dentro do espaço”, informa.

Ainda com uma agenda a cumprir, a exemplo da estreia do espetáculo a distância entre dois neste final de semana no Teatro Goiânia, e uma temporada em novembro em Guadalajara, no México, a Quasar já se prepara para interromper os projetos permanentes de continuidade. Os funcionários, entre bailarinos, produtores e prestadores de serviços já cumprem aviso prévio e o Espaço Quasar, localizado no Setor Bueno, deve ser desocupado nos próximos meses. Todo o acervo, como figurinos, objetos de cenografia e materiais de arquivo deverão ser levados para outro lugar.

Até então patrocinada pelo edital público da Petrobras Cultural que garantia o incentivo de funcionalidade de três anos para a companhia, o subsídio foi finalizado no final de agosto e não há expectativa para a renovação no contrato. Sem o estímulo de continuidade para as atividades que a Quasar promove todos os dias, a exemplo dos ensaios e aulas para os bailarinos, uma equipe para produção e profissionalização artística, é quase impossível tocar a companhia, segundo a diretora da companhia Vera Bicalho.

“O nosso diferencial é a rotina diária, a nossa profissionalização. O sucesso ao longo de 28 anos veio com o compromisso com a qualidade artística e o profissionalismo da Quasar. Não seria possível alcançar tal reconhecimento se não houvesse a participação de muitas pessoas queridas e talentosas, empresas patrocinadoras da cultura, instituições públicas que acreditam na arte. É quase impossível tocar a companhia de outra forma”, aponta Vera.

A proposta agora é de que a Quasar reaprenda a trabalhar através de projetos pontuais, uma mudança estrutural de uma companhia que há 28 anos promove ações de fomento à dança em Goiás. “O patrocínio da Petrobras, juntamente com outros, dava condições de honrar os salários, manutenção e diversas ações do nosso quadro de funcionários, com coreógrafo, diretora, bailarinos, equipe de produção, secretaria e limpeza, todos com carteira assinada. Sem perspectiva imediata de reverter tal circunstância e com muita angústia, a nossa solução é fazer uma paralisação da estrutura permanente da companhia, onde teremos que desativar o espaço e acertar as contas com todos os seus colaboradores”, explica a diretora.