Os últimos dias têm trazido mudanças drásticas e significativas na vida de todos. Isolamento social, recomendações reforçadas de higiene e cuidado, novas rotinas. Somado a isso, o volume de informações que chegam a todo momento sobre a pandemia do coronavírus podem provocar ansiedade excessiva e outros problemas psicológicos. As medidas são fundamentais para a saúde do corpo — mas não se pode esquecer da mente.

“Estamos vivendo um período em que tudo é muito incerto, com emoções aflorando com muita frequência. Acompanhando depoimentos de pessoas de outros países, vemos que a quarentena tem muitas fases. Nós somos seres sociais; então, diversas outras emoções ainda vão surgir”, explica a psicóloga Ana Carolina Moura. Ela é responsável por um espaço formado por cinco consultórios, que reúne 17 profissionais da psicologia. Todos estão aderindo ao formato de atendimento on-line, seguindo as recomendações de quarentena e resguardo.

Apesar de não utilizar o método normalmente nem considerar o ideal, Ana Carolina precisou se adaptar. “De fato, não faço atendimentos on-line normalmente. O contato físico e presencial é bem diferente, mas ficar sem atendimento, em alguns casos, é pior. Esse momento provoca muita coisa dentro da gente. Várias dúvidas surgem, muitas incertezas. Assim, é importante continuar os acompanhamentos”, acrescenta. Alguns casos específicos, no entanto, podem exigir um encontro presencial. “Para esses, temos um espaço aberto em que os atendimentos estão sendo feitos ao ar livre, seguindo as recomendações de distância entre o psicólogo e o paciente”, explica.

Participar de uma consulta com um psicólogo pela internet pode parecer simples e prático, mas Ana Carolina revela que tem encontrado algumas dificuldades. “Problemas com o sinal de internet, que agora está sobrecarregada, a tentativa de encontrar a plataforma que funcione da melhor forma. Antes de começarmos a atender on-line, é preciso, ainda, se cadastrar no site do Conselho Federal de Psicologia. São algumas pequenas dificuldades, mas tem funcionado.” Até então, todos os atendimentos que realizou foram por chamadas de vídeo.

Mesmo que não estejam utilizando o espaço como antes, os psicólogos estão abertos a realizar novos atendimentos. Para isso, realizam uma triagem on-line com os futuros pacientes. “Depois da triagem, apresentamos a proposta do espaço: ser o mais acolhedor possível. Por isso, não temos um único valor fechado para os atendimentos. Conversamos com cada pessoa e ajustamos junto com ela”, explica Ana Carolina. Para ela, o momento é de mostrar que os profissionais da psicologia estão a postos para auxiliar nos assuntos relacionados à saúde mental.

Apesar das recomendações dos órgãos e profissionais de saúde, dos decretos publicados com restrições para os encontros e com a autorização por parte do Conselho Federal de Psicologia, a profissional observa que algumas pessoas ficam receosas de realizar as sessões de forma on-line. “Algumas podem ter dificuldades de se adaptar a situações novas, por exemplo. É importante reforçar que os profissionais mantêm todas as recomendações de sigilo e tomam todas as precauções antes de iniciar os atendimentos dessa forma.”

O momento pede redes de apoio, inclusive entre os psicólogos, para que consigam administrar os diferentes casos que estão surgindo. “Lidamos com pessoas que têm dificuldade de se olhar, de se enxergar e que, de repente, estão se vendo em uma situação completamente estranha: dentro de casa, em contato constante com a família e sendo obrigados a desacelerar. Pode ser um momento rico, mas extremamente perturbador”, diz.