Quem passa pelos portões do antigo prédio da Delegacia Fiscal, em frente à Praça Cívica, nem imagina que ali repousa um paraíso do patrimônio histórico de Goiás. O edifício, que atravessa uma extensa reforma desde 2015, agora recebe os ajustes finais para abrigar a nova sede do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan Goiás). Entre quinta-feira (21) e sexta-feira (22), a equipe ocupa todo o complexo e, a partir do dia 25, o órgão já deve atender na nova casa.

Ao lado do Coreto e da Torre do Relógio, entre as Avenidas Araguaia e Goiás e quase em frente ao Museu Zoroastro Artiaga. A nova sede do Iphan não poderia estar localizada em endereço mais propício ao trabalho que o Iphan realiza desde os anos 1960 no Estado. Para servir de nova casa, o imóvel que abrigava anteriormente a Procuradoria-Geral da Fazenda passou por obras de restauro, que contou com quatro etapas de execução. O valor total do investimento foi de R$ 11,48 milhões.

Tombado como patrimônio nacional ao lado de outros 21 edifícios e monumentos públicos de Goiânia, o prédio faz parte do traçado original do arquiteto Attilio Corrêa Lima. Também é uma das joias art déco tipicamente goianiense dos anos 1930. Com elementos e adornos decorativos, o imóvel serviu como sede da Delegacia Fiscal quando foi construído. Nos anos 1960, ganhou duas extensões laterais que ampliaram sua edificação. “É um típico edifício art déco da cidade, com detalhes, traços e marcas que simbolizam a história da então nova capital”, explica a coordenadora técnica do Iphan, a arquiteta e mestre em gestão do patrimônio cultural Beatriz Otto de Santana.

Para a restauração, a equipe do Iphan fez todo um processo de pesquisa para manter os princípios originais dos anos 1930, adequando acessibilidade. Também precisou moldar o antigo com elementos da arquitetura contemporânea, sempre respeitando o patrimônio primigênio. Na parte interna, anexos foram demolidos, dando lugar a um pátio-jardim com salão para eventos, em um retorno ao projeto original. O subsolo ganhou um auditório, salas para manuseio de arquivos e pesquisa. “O antigo e o novo conversam e se encontram”, destaca.

Transformações

A mudança de casa coincide com as transformações do Iphan em nível nacional. Até o início do ano, o órgão se encontrava dentro do Ministério da Cidadania. Agora, já foi transferido para o Ministério do Turismo. Quem comanda a gestão em Goiás desde setembro é o advogado Allyson Ribeiro. “A nova sede do Iphan representa a consolidação de um trabalho que vem sendo feito há anos. Só agora temos uma casa própria”, destaca Beatriz.

A proposta é estreitar a participação da comunidade nas ações do Iphan dentro da nova sede, ocupada por quase 40 profissionais, entre efetivos, terceirizados e estagiários. A biblioteca, por exemplo, estará aberta ao público com a inclusão de 400 exemplares de coleções, almanaques, livros técnicos e títulos literários raros doados pela família da arquiteta Belmira Finageiv. Há ainda uma sala de estudos e pesquisa do acervo do Iphan, com documentos, plantas, fotografias e outros materiais sobre patrimônio, arquitetura e urbanismo.

No auditório, a ideia é promover encontros para debates, exibições de filmes e mesas-redondas em horários alternativos, como na hora do almoço e no final do expediente. “Queremos colocar a população dentro dos espaços públicos e fazer com que haja uma real discussão sobre os caminhos do patrimônio material e imaterial”, completa a coordenadora. Uma exposição de arte sobre a trajetória do Iphan também deve decorar os corredores do edifício nos próximos meses. “É hora de homenagear quem fez e faz a história do Instituto nas últimas décadas.”