O programa Diálogo da Esperança, apresentado por Pedro Bial, que vai ar neste domingo (23) à noite na Globo News, colocou a educação em diversas bocas, dando espaço para quem vive a rotina escolar, para quem luta por uma educação com mais sentido e oportunidades e para estudiosos do tema.

Filha de um vendedor ambulante analfabeto e de uma empregada doméstica, a professora especializada em desenvolvimento humano, educação e inclusão escolar, Gina Vieira da Ponte, foi uma das convidadas de Pedro Bial e fez questão de ratificar a importância da escola na vida de quem nasce em um cenário de poucas oportunidades. “A escola ainda é a única opção. Eu sou egressa da escola pública e ela mudou a minha vida. A escola precisa se ressignificar para essa geração de nativos digitais e nós educadores somos os principais responsáveis por fazer uma educação e uma escola que faça sentido para os jovens”, diz.

A fundadora do Mapa da Educação, Tábata Amaral de Pontes, apresentou números assustadores, como três milhões de crianças e jovens que estão fora da escola. “O jovem sente que ele não está incluído de fato no processo educacional. Ele se sente à parte. Além disso, sai da escola sem preparo para o mercado de trabalho e sem aprender sobre as responsabilidades básicas do cidadão”, lembra.

Defendendo uma escola que ensine os jovens a aprender, a ser, a conhecer e a viver juntos, respeitando o outro e se respeitando, o economista Ricardo Henriques, que já esteve a frente da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (Secad) do Ministério da Educação, destacou escolas públicas que fazem a diferença com uma gestão preocupada, um quadro de professores interessados em ensinar de forma participativa e estudantes engajados. “O que falta ainda são políticas públicas que sonhem o projeto de vida desses jovens e que valorizem escolas inclusivas, equânimes e que produzam sentido na educação.”

Ricardo entende que a desigualdade é estrutural e que a escola é responsável pelo aumento desse desequilíbrio. “Muitos jovens sequer entram no ensino médio, além disso temos uma cultura de reprovação que coloca os índices de evasão em patamares inaceitáveis. Precisamos repactuar a educação pública, mostrando que é possível construir uma outra sociedade.”