Os primeiros acordes da eterna Walk Of Life, do grupo britânico Dire Straits, têm o poder de transportar seus fãs para algum lugar no passado onde a vida parecia bem melhor. O clima de nostalgia deve dar o tom do show da Dire Straits Legacy, hoje, às 21 horas, no Goiânia Arena. O projeto, liderado pelo tecladista e arranjador Alan Clark, reúne alguns dos integrantes da formação clássica do grupo britânico liderado por Mark Knopfler, que fez enorme sucesso nos anos 1970 e 1980. A banda deixou de existir nos anos 1990, quando o guitarrista, vocalista e líder partiu para carreira solo.

Se não é o Dire Straits – como muitos chegaram a pensar na época do anúncio do show –, o Dire Straits Legacy tampouco pode ser reduzido a uma simples banda cover. Alan Clark define o grupo como uma espécie de “orquestra com grandes músicos tocando as canções do Dire Straits”. No repertório do show, hits certeiros como Sultans of Swing, Your Latest Trick, So Far Away e Money for Nothing devem ser acompanhadas a plenos pulmões pelo público.

“Eu amo o Brasil, as paisagens, as praias e as pessoas. Sempre digo que música é algo atemporal. Uma boa música dura para sempre e o Dire Straits tem muitas. Os jovens cresceram ouvindo os discos dos pais que são fãs e seus filhos também ouvem esses registros”, respondeu ao POPULAR Alan Clark, ao ser questionado sobre a popularidade da banda, que atravessa gerações. Nos shows da turnê brasileira, o público maduro se mistura aos jovens nas plateias.

Apesar de nenhum dos integrantes originais da criação, em 1977, do Dire Straits (Mark Knopfler, David Knopfler, John Illsley e Pick Withers) participar do projeto, foi com Alan Clark nos teclados que o grupo gravou o lendário álbum Brothers in Arms, em 1985. O disco figura na lista dos mais vendidos da história do Reino Unido, com mais de 5 milhões de cópias. So Far Away, Money For Nothing, parceria da banda com Sting, e Walk of Life, três dos maiores hits do Dire Straits, também contaram com a colaboração do músico.

Clark lembra com carinho das gravações do álbum que foi o divisor de águas na carreira dos ingleses. Depois do sucesso do disco, eles alcançaram o estrelato mundial. Alan Clark conta que sua música favorita do repertório da banda é Private Investigations. “Tem muitas passagens instrumentais com as quais tive muito a ver, e que são muito gratificantes de tocar”, justifica. Ciente do peso da ausência de Mark Knopfler nas apresentações, o músico fala que tem boa relação com o ex-líder do Dire. “Mark e eu sempre tivemos um relacionamento musical fantástico, trabalhamos bem juntos, e é por isso que há muito instrumental na música dos Dire Straits. Ele foi uma imensa parte do som da banda”, explica.

Mark gravou diversos álbuns em carreira solo e trilhas para filmes, se distanciando cada vez mais do som que o consagrou, sem perder a pegada de excelente músico que o tornou conhecido em todo o mundo. No ano passado, Alan Clark entrou para o Hall of Fame do Rock and Roll como membro do Dire Straits. Quem gosta mesmo do som do britânicos, vai ter uma experiência que nenhum banda cover seria capaz de promover.